Tem sido um dia difícil. Ufa, demasiado difícil até.
Ao trilhar a mão com a porta do armário, cinco minutos depois de acordar, e ficar com um hematoma, sem que consiga (ainda) sentir os dedos, não avizinhei o que estava planeada para mim, no dia de hoje.
Ora bem, entre desilusões e feridas abertas, tem sido um dia cinzento. Um daqueles dias "assim-assim".
Para ir para a Universidade passo sempre, ou quase sempre, por uma subida íngreme e que custa a subir - especialmente para alguém preguiçoso, que não vai ao ginásio há meses... - e aquela derradeira subida faz-me "bufar" e "soar" nuns meros três minutos.
Hoje subi-a. Duas vezes até. Quis Deus que assim fosse. Ao subir, perdeu-se-me o fôlego. O peito apertou e tive de parar, respirar, contar silenciosamente até dez, e voltar a tentar. Ia a meio da subida e já as pernas fracassavam de novo. Puxa, estava a custar.
Além de ser uma subida ingrata, é uma subida junto a um local que eu evito. Bem que podia haver uma alternativa mas, tal e qual é nas nossas vidas, não há "outras subidas". Há esta. E é esta que temos que nos esforçar o suficiente para subir.
Continuava a pôr pé ante pé, com a cabeça ligeiramente virada de lado. É um mecanismo de defesa. Tentar não ver o que não quero ver.
Já à descida, pensei que fosse mais fácil (costuma ser). Os gritos e as músicas entoavam cada vez mais alto e faziam eco na própria rua. E ali estava. Uma autêntica guerra de curso. Senti-me sem fôlego novamente. Quanto mais conseguiria eu aguentar...?
É que já estava a ser um dia menos bom (para não dizer mau...) e ali, frente a frente, deparava-me com a realidade do dia-a-dia para que a aceitasse e a engolisse. Assim, sem tirar nem pôr.
Porque o mundo continua a girar.
E porque, mesmo que tudo tenha mudado, mesmo que acredite que nunca será igual, os carros passam, as pessoas andam e tudo se transforma, dia após dia. Tendo nós aceite ou não.
"...Meu Deus, eu já percebi a lição" sussurrei eu baixinho.
Mas quem realmente sabe se a lição tinha terminado ali...? Quem pode realmente decidir isto?
Estava já eu a abrir a porta do prédio quando ouço uma "Despedida aos doutores". E ali, o coração bateu mais forte e a saudade abraçou a alma. E, mesmo com dor no coração, naquele momento, senti-me FELIZ pelas extraordinárias memórias que guardo.
E é mesmo assim, sejam eles dias BONS, ASSIM-ASSIM ou MENOS BONS... O importante é ter em nós a certeza de que SOMOS felizes. SER é o que mais importa. Às vezes estamos, outras não... Mas SOMOS.
E isso eu SEI.
quarta-feira, 19 de novembro de 2014
quinta-feira, 24 de julho de 2014
It hurt
It hurt so deep, it hurt so much,
And the pain was mine to keep.
No tender words or written poems
Could wash away the aching grief.
My heart was broken, oh so bruised,
Divided in two - Or shall I say - in three
As I stood there in silence, among the living,
And whispered softly "It could have been me".
It hurt as the dawn,
Among the longest night,
found it's way to rise,
and roses ceased to bloom.
Oh, how it hurt as the rain fell,
From the tireless, crying sky.
It hurt as the cloudy days,
Dragged on, and time stood still.
It hurt as I was hugged,
And the sun finally appeared, beyond the hill.
It hurt. It did.
Like a million stabbing knifes,
quarta-feira, 23 de julho de 2014
A "minha" Anocas
Por mais que tentasse, por mais palavras que escrevesse, por mais tempo que dedicasse a tentar explicar a magia que ela acrescenta à minha vida, iria falhar pelo simples facto: É impossível. É, verdadeiramente, impossível de descrever a sua alegria e o amor imenso que consigo trouxe até mim. A cada dia que passa, e cada momento que posso partilhar com ela, é um pedacinho de céu nos meus dias. Ela é LUZ que Deus pôs, delicadamente, nos nossos caminhos, para iluminar os trilhos mais sombrios.
Tenho medo. Tenho, sim. Sou uma pessoa incrivelmente positiva mas, às vezes, a alma treme quando damos um passo atrás e nos deparamos com tudo o que nos rodeia. Todas as incertezas, todos os exames, todas as informações que parecem ser impossíveis de processar e aceitar.
Tenho medo... Um medo tamanho de não a ter nos meus braços. Tenho medo de um mundo sem ela. Sei que ela vive, cada dia, no meu coração. Tem um trono só dela. É rainha, é princesa, é tudo o que ela algum dia quis ser e tudo o que algum dia será.
O medo não foge... mas graças ao seu sorriso e a tudo o que ela nos diz, entre palavras repletas de ternura, acredito, cada vez mais, que um dia ela poderá gritar aos sete ventes "EU VENCI" e, nesse dia, eu estarei ao seu lado para receber um daqueles abraços.
Olho para ela.
Olho
para ela e sinto o coração inchar. Olho para ela sempre que posso. Olho para
ela e observo-a, enquanto abraça a mãe, a tia, os amigos, a vizinha e a senhora
que passa na rua. São muitos abraços. Ela é mesmo assim. Simplesmente olho para
ela. Tem os cachos pretos soltos que dançam, livremente, ao sabor do vento. Que
bom é vê-la de cabelo pelos ombros, de sorriso largo na cara e de olhos
brilhantes como duas estrelas que mantêm a sua postura, sem cessar, mesmo
durante as maiores tempestades.
Não
perco uma oportunidade de olhar para ela. Quando o faço, sei, com toda a
certeza, que fui abençoada. Não digo isto no sentido mais religioso da coisa,
embora acredite que há por aqui mão de Deus. Digo isto porque tive sorte, mais
sorte do que a maioria.
Se
não fosse voluntária, o que seria?
Uma
coisa sei: Seria, de certo, menos feliz, menos capaz, menos humana. Falo por
mim. Não me levem a mal! Acredito, realmente, que se pode ser a melhor pessoa do
mundo e não se ser voluntário. Mas, na minha vida, isso simplesmente não faria
sentido.
Sou
voluntária há quase 5 anos, numa Associação, que eu própria criei. Estou
habituada a lidar de perto com as “nossas” crianças, afectadas por doenças
oncológicas. Estou habituada a ouvir a famosa frase “Queria tanto fazer voluntariado,
mas não sei como”. E qual seria o meu conselho? Mexe-te! Procura! Descobre! E
se não encontrares? Procura mais, faz planos, organiza, cria.
Poderiam
escrever-se muitos artigos, muitas crónicas ou até cento e um livros sobre o
voluntariado. Digo-vos uma coisa: Nada o descreveria de forma justa. O
voluntariado não é algo fácil. É necessário transbordarmos de dedicação, de
disposição, de amor. É necessário confiarmos nas nossas capacidades e termos
sempre presente o nosso objectivo interior, para assim passá-lo a quem tanto
queremos ajudar.
O
meu objectivo é fazê-la sorrir. A ela e a tantas outras crianças que ajudamos,
na nossa Associação.
Se é
complicado? Muito. Se dá trabalho? Quanto baste. Se vale a pena? Sempre - vale
sempre a pena.
Foi despercebida que percebi a essência de
ajudar – Era uma tarde de Agosto quando passeávamos com ela pelo Parque da Cidade.
Sorria com cada passo que dava. Às tantas, olhou para nós e disse “Não sei
porquê, mas hoje estou ainda mais feliz”. Saber que fazemos parte da felicidade
de alguém é algo inigualável.
É
esta frase que digo a todos os que um dia viram passar pela sua cabeça a ideia
de ser voluntário. Quando se torna um pouco mais árduo, quando requer um pouco
mais de nós, olho para ela. Ela salta e pula e dança e ri e eu?
Eu
olho para ela.
terça-feira, 22 de julho de 2014
Julho, aqui estás tu. Ou melhor, lá vais tu. Estes últimos dias têm sido uma valente correria, onde me escapa, às vezes, tempo para me organizar e partilhar os meus pensamentos, nunca deixando de os ter, é claro. Tenho estado ocupada... a viver. Não é para isso que Julho serve? Não é por isso que, todos os dias, o sol nasce e nos brinda com tardes de verão deliciosas, um prato de caracóis e uma cola bem fresca?
O Verão existe para que seja vivido na sua plenitude. E Deus fê-lo tão rápido quanto o vento, pra que possamos aproveitar cada noite de euforia e cada salto para a piscina, mas igualmente tão lento para que não percamos o nascer do sol nas montanhas e o sorriso de uma criança ao comer o seu primeiro cone de gelado.
Tenho tido muitos projectos na manga que me dão muito que fazer, mas tenho tido a sorte de criar projectos que me fazem sorrir e me fazem trabalhar com muito, muito amor. O que vem aí...? Todo o passo que dou é no Sentido certo.
Ah... não é tão bom viver?
sexta-feira, 18 de julho de 2014
Confiar Nele.
"O que faz o comum dos homens ao se ver frente a frente com os seus problemas?" Perguntei-me a mim própria, hoje. "O que faz uma pessoa normal quando a carga já pesa e nada nem ninguém nos parece conseguir acalmar?". Não sei. Sinceramente, não sei. Quando assim o é, gosto bastante de falar com quem me inspira diariamente e receber as suas palavras de amor uma por uma, para acalmar o espírito e relaxar a alma que se atormenta num valente rodopio.
A minha querida Vanessa Afonso, mãe da Princesa Leonor, já a noite se ia, as horas passavam e o sol teimava em aparecer, quando, numa conversa profunda, me disse "E, se não conseguires fazer mais nada, fecha os teus olhos e diz 'Ampara-me Senhor, Dá-me forças, Senhor, Ajuda-me, meu Deus' e repete isso vezes sem conta, Ele ouve e vem em teu socorro".
Não sou católica praticante. Não gosto de missas. São chatas. Já tentei ir com vontade de aprender, mas saí de lá tal como entrei: confusa. As palavras do Senhor Padre não me entravam na cabeça e os versos bíblicos que teimava em ler vezes sem conta não faziam sentido para mim. Mais tarde, já na praia da Foz, sentada sozinha, olhando o mar, senti-O ali comigo. Penso que foi a primeira vez que O senti, realmente. Não estava só comigo, nos meus pensamentos e no meu coração. Ele estava ali. Como uma mão amiga no meu ombro, senti a Sua presença como nunca antes sentira, e, sem me querer vir embora, senti o Seu terno abraço de quem diz "Eu estou contigo. Onde quer que vás, O que quer que faças, como quer que estejas, EU estou aqui.".
Não, não foi aqui que a minha vida deu uma volta de 180º graus e decidi, na minha ingenuidade, voltar à missa. Decidi voltar à praia. Tão simples quanto isso. Depois, pouco a pouco, fui percebendo que Ele não estava apenas lá. Voltei a senti-Lo numa noite de natal, ou num passeio de família, ou no sorriso de uma criança. Algo me acertou em cheio e me fez abrir os olhos: Afinal, ELE vem comigo onde EU FOR.
E quem hoje me acalmou, na sua inteira e plena serenidade, foi a mãe Vanessa, como já o tem feito tantas vezes, e por tantas vezes tenho sorrido e levantado a cabeça. Penso nela, e ganho cor, ganho vida. Então, Meu DEUS, se esta mãe, que dia sim, dia sim, se vê entre paredes do IPO com a filha, de 4 anos, a nossa Leonor, e me "empresta" uns minutos destes seus dias para me ensinar a VIVER melhor, como posso eu ter dúvidas...?
No silêncio da noite, pedi-lhe que me acalmasse este meu coração que dava voltas e voltas, sempre sem se perder. Sem se perder, mas só porque Ele me deu sentido e mo guiou.
E onde ele for, EU vou.
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